Os humanos são os únicos seres cuja postura ereta permite voltar a cabeça para o céu e espantar-se com a grandeza do universo...e assim refletir.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Como é Ser Um Morcego? - (Questão mente-corpo)

Pode ser interessante saber que um dos mais importantes artigos da filosofia da mente tem exactamente por título “What is it like to be a bat?” (Como é ser um Morcego?). O autor, Thomas Nagel, é professor na Universidade de Nova Iorque e um dos mais influentes filósofos contemporâneos.“Como é ser um Morcego?” levanta um problema central em filosofia da mente: o problema dos “qualia”. O termo latino “qualia” significa literalmente “qualidade” e o que está em causa é que ter experiências envolve uma certa qualidade. Quando comemos chocolate, por exemplo, a experiência de o comer tem uma certa qualidade, um conjunto de propriedades que são a maneira como sentimos e saboreamos o sabor do chocolate. O problema que se coloca é que tais experiências parecem perder-se quando adotamos a perspectiva da terceira pessoa, que é tipicamente a perspectiva científica. Podemos abrir o cérebro de alguém que está a comer chocolate e saber que quando isso acontece certas partes do cérebro são ativadas e outras não; podemos descobrir imensas coisas da perspectiva da terceira pessoa — mas nunca saberemos realmente o que é saborear chocolate se não o tivermos saboreado nós mesmos. Daí a analogia com os morcegos: sabemos imenso sobre a ecolocalização dos morcegos, mas não sabemos o que é ter a experiência de “ver” uma coisa com os ouvidos.
Ora, isto levanta um problema grave à ciência da consciência, o problema do hiato explicativo: parece que haverá sempre um hiato explicativo entre qualquer explicação científica da consciência, feita na terceira pessoa, e a experiência na primeira pessoa de ter consciência. O fisicalismo, a ideia de que a mente é idêntica ao cérebro, tal como a água é H2O, enfrenta então este problema de incompletude fundamental: parece que nunca poderá explicar cabalmente o que é uma mente.

sábado, 27 de agosto de 2011

O Ser e A Mente

Existem duas formas de conciência. A consciência cérebro-dependente : pensamentos passivos e memória. E existe a conciência própria do ser: capacidade de cognição e de decisão. A parte cérebro-dependente funciona por meio de blocos de memória que podem controlar nossas mentes através de associações involuntárias que são feitas dessas memórias com qualquer situação atual com que tenham alguma semelhança. Isso ocorre de modo que a mesma emoção sentida na situação em que se formou uma memória de um fato "mal resolvido" é ativada quando se tem uma circunstância semelhante.

Isso causa transtornos à realização do ser em suas atualizações devidas pois prende-o a princípios regedores inconcientes que foram formados em circunstâncias distintas das atuais e, que, portanto não se pretam a uma atualização adequada. Aqui se referire ao ser humano pois viu-se que o declínio da esssência das demais entidades provem do declínio desta que por sua vez se dá através da mente. Pois, bem, sendo assim, a mente, ou melhor a conciência cérebro-dependente trás este ônus ao indivíduo que não esforçasse por tornar-se plenamente conciente de seus atos por meio da conciência própria do ser.

Nota-se, então que o decaimento do ser humano se dá quando este não toma conciência de que é regido por fatores inconcientes e desse modo se deixar levar por este e não atinge seu máximo grau de ser, ou seja, a verdadeira potencialidade do seu ser. A não tomada de conciência – conciência ativa- pode ocorrer por acomodação, ou seja, o indivíduo sabe que algo está errado e que, de algum modo, está se deixando determinar por fatores outros que não correspondem aos seus atuais conhecimentos, contudo, não há, por parte deste, o compromentimento com suas potencialidades, com a própria essência e, portanto, mesmo tendo a capacidade intrinsecamente humana de tornar-se conciente, permanece, contudo, na inconciência.

" Somos, portanto, o somatório de registros ancestrais e atuais, que na maioria das vezes são conflitantes". p. 113( BEARZI, G.(2011).Artimanhas da mente. Novo Século).No fragmento acima, faz-se referência à memória genética de nossos ancestrais que somadas às nossas memórias acabam por nos definir até que rompamos com o poder de ação destas ao tomar conciência delas e, tirar o peso que têm para nós encarando-as como aquilo que realmente são, memórias, nada que se deva deixar determinar a própria essência. O fato é que, sequer tem-se conciência de algumas das próprias memórias, menos ainda das de nossos ancestrais às quais são armazenadas em nosso DNA como aprendizado de como reagir nas mais diversas situações mas, sequer tem-se de forma clara que experiência que levou a este aprendizado.Isso é bem explorado no capítulo 8 do livro Artimanhas da mente, do médico Gustavo Bearzi. Em geral se pensa: "É só meu jeito de ser",mas não é. É jeito como seus ancestrais costumavam lidar com tais situações.

Isso foi fundamental para a evolução da espécie mas, ao mesmo tempo, limita a singularidade, a individualidade e uma evolução mental mais profunda uma vez que muitos deste aprendizados armazenados só serviram para época em que foram gravados. É preciso atualizar, sempre, pois, atualizar é vir a ser, realizar-se, porém, estar em desatualização é permitir a própria "degeneração"(estagnação).


"Precisamos reabilitar nosso passado, resgatar e redimir o que é ruim em nós, em nossas células, e incorporar e liberar o que é bom em nossa memória,pois tudo está gravado lá – e bem gravado!E a partir de uma redenção interna poderemos transmitir aos nossos descendentes coisas melhores, permitindo maior avanço na humanidade."p. 90( BEARZI, G.(2011).Artimanhas da mente. Novo Século)


Eis, então, a atitude mais racionalmente plausível a se tomar, dado o que nos é imposto pela própria condição humana de indivíduos de uma mesma raça os quais, querendo ou não, compartilham um código genético não só com caractéres físicos mas também com tendências comportamentais. Não se pode negar aquilo que já é posto mas, pode-se fazer uso ou não disto de forma conciente de modo a melhorar a espécie e não estagná-la nos mesmos antigos erros.



sábado, 8 de janeiro de 2011

Um Despertar do Sono da Alienação

Enquanto estou no meio de pessoas comuns, pessoas que não se importam com as grandes questões da humanidade as quais apesar de todo avanço científico não foram respondidas e pelo que depender da ciência, nunca serão, penso que tais pessoas poderiam abrir os olhos e deixar um momento de preocupar-se com questões banais pra ligar para o que realmente importa. Alguns diriam que "o que realmente importa" é algo relativo. Que algumas pessoas importam-se com um tipo de assunto, outras com outro. Como definir o que mais importa? Simples. O que mais importa deve ser questões que digam respeito a toda a humanidade e não apenas a certas áreas de interesse. Questões como de onde veio o mundo? O que é a mente? Como agir de forma ética? Em que a liberdade individual deve implicar?
São questões de importância para toda a humanidade pois somente a resposta a tais perguntas pode nos levar a saber quem de fato somos( algo além de um nome e um copo) e saber qual o propósito de todas as coisas bem como o que fazer em relação a isso. Mas muitas pessoas não vêem a necessidade de se esclarecer tais questões. Estas ocupam-se unicamente das questões da existência prática como se tudo que o ser humano precisasse fosse existir e da melhor forma possível. Essa é a unica necessidade dos animais mas garanto que não é nossa unica necessidade. O ser humano é curioso e indagador por natureza. Um ser dotado de razão não pode contentar-se unicamente em existir sem refletir sobre os mistérios dessa existência. Acontece que a maioria das pessoas está numa espécie de transe de alienação. Tão envolvidas que estão em sua vida prática esquecem de se perguntar qual o propósito maior de suas ações. Afinal, se para tudo que fazemos há um propósito, mesmo que prático, há de haver também um propósito para o propósito e um propósito para o propósito do propósito até se chegar à causa última e ao mesmo tempo original de todas as coisas. Mas como despertar as pessoas comuns deste sono de alienação quando elas mesmas se recusam a serem despertadas? "Viram para o lado na cama" e dizem: - Não vou debater isso. Não leva a nada. Não obteremos resposta.
Não poderia haver reação mais tola a uma tentativa de despertar! mesmo que uma questão filosófica não seja respondida em um ou em vários debates, a teorias formuladas apontam caminhos que poderão ser retomados e melhor avaliados cada vez que a questão for discutida,levando-nos assim pra mais longe das questão e mais perto da resposta. Mas é preciso ter bom senso e sabedoria para compreender isso e para não desistir de buscar conhecer aquilo que realmente pode nos libertar. Isso se dá pelo pensamento, mas como afirmou Bertrand Russel, "O ser humano teme o pensamento como nada mais sobre a terra, mais que a ruína e até mesmo que a morte".